O target dos estabelecimentos não são as pessoas.

“O target dos estabelecimentos não são as pessoas.

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Ok, antes que você comece a se agitar, vejamos se consigo me explicar melhor.

Normalmente a primeira pergunta que faço aos meus clientes antes de projetar seus estabelecimentos é:

‘Qual produto você pretende vender?’

A segunda é:

‘Para qual público pretende direcioná-lo?’

Então, a objeção que é SEMPRE feita para mim é:

‘Mas se foco apenas em um tipo de público, não perderei todos os outros?’

 

A este ponto, tenho duas notícias para você: uma boa e uma ruim.

A ruim é que sim, é verdade, ao direcionar-se à um tipo de público, se PERDE todos os outros…

A boa é que, se você me acompanhar, tentarei lhe mostrar a questão de um outro ponto de vista. E você se dará conta no final que, talvez, a notícia de antes não seja tão ruim.

 

Pois bem. A primeira coisa que deve fazer é pensar em você mesmo.

Ou seja…

 

Pense como você escolheria um lugar para ir esta noite.

Deixe de lado todas as ladainhas sobre qualidade, serviço, preço…

Pare por um momento de se colocar no lugar do empreendedor, do gerente…

E tente se comportar como um cliente qualquer. (Você provavelmente tem a chance de escolher onde ir jantar de vez em quando, certo? Somente nas férias? Ok, então pense qual lugar escolheria se estivesse de férias.)

Pergunte a si mesmo, simplesmente:

‘De que tenho vontade hoje à noite?’

Talvez você se conta de que, por exemplo:

Faz um tempo que não sai sozinho com seu parceiro ou parceira. Talvez essa noite queira sair sozinho com ele/ela para uma janta romântica. Encontrar um pouco de privacidade, olhar nos olhos do seu par, fazer o romântico…

Bem.

Agora tente imaginar em que tipo de estabelecimento gostaria de passar uma noite assim.

Tento descreve-lo?

Eu diria que é um lugar íntimo, não muito grande, com poucas mesas, um serviço discreto, luzes baixas, um castiçal de velas sobre a mesa e um pouco de música elegante no fundo.

Conseguiu acompanhar?

Bem, este é o tipo de local onde eu iria para um jantar romântico, e acredito que será mais ou menos parecido com aquele que você imaginou também…

 

Ok.

Agora vamos mudar um pouco.

Continuo com a pergunta de o que gostaria de fazer esta noite. Talvez lhe venha em mente que faz tempo que não tem uma janta entre amigos, com toda a turma! Uma daquelas noites quando todos se reúnem e fazem festa, e parece que os anos nem passaram!

Entre risadas, gritos, brincadeiras… vocês são mesmo um bando de loucos!

 

Consegue imaginar?

Descrevo este local também?

Bem, um estabelecimento um pouco maior, onde se consiga arrumar uma mesa para um grupo de 8-10-12 pessoas…

Onde sirvam uma comida informal, onde se possa fazer um pouco de barulho sem que ninguém te olhem torto!

Melhor ainda, se tem uma música agradável, ou até mesmo um DJ, que dê vontade de dançar. Quem sabe subiremos nas mesas e não iremos embora até que nos mandem, ao fechar!

 

Divertido, não?

E nem terminamos ainda.

 

Agora vamos fazer de conta que você acabou de voltar de férias.

Está bem bronzeado, se sentindo atraente…

Nada melhor que ir a um lugar badalado no centro da cidade para ver e ser visto, certo?

Você coloca aquela sua camisa branca (desabotoada até o umbigo, por favor…. não!)…

Ou então, se for mulher, aquele vestidinho que destaca o bronze e os sapatos novos salto 12…

E chama aquele velho amigo para ir ao centro e tirar um pouco de onda…
Que lugar você gostaria de ir?

Eu diria que seria um lugar da moda, que abriram recentemente e que todos estão comentando, onde com certeza encontrará alguém que elogiará seu vestido ou pele bronzeada!

O que tem de mais, um pouco de alimento ao ego faz bem de vez em quando!

 

Está entendendo?

Ótimo.

Por quê fiz todos estes exemplos?

Para tentar explicar que VOCÊ é sempre a mesma pessoa. Mas que, de vez em quando, tem vontade de coisas diferentes.

E que nenhuma exclui a outra.

Simplesmente, em uma noite você vai querer um jantar romântico, na outra sair com os amigos, e em outra tirar onda com seu melhor amigo ou amiga.

 

E daí?

Bem, se tentar agora INVERTER esse discurso e vê-lo do ponto de vista de um EMPREENDEDOR que precisa abrir um lugar, você se dará conta que:

Para que você possa escolher um lugar onde ir para ter um jantar romântico,

com as características que descrevi mais ou menos,

é preciso um empreendedor que decida abri-lo!

E um arquiteto que o projete

e o realize exatamente com as características que lhe descrevi.

 

E atenção agora:

Para este empreendedor, nesta noite você representa o seu TARGET. Ou melhor, este estabelecimento foi pensado e realizado para você, para satisfazer os seus desejos e necessidades, neste caso para uma noite romântica.

 

Mas e na noite seguinte?

Você será sempre você, mas nessa noite tem vontade de jantar em companhia, e o lugar onde quer ir é diferente daquele da noite anterior, completamente diferente, no produto, no serviço e também no ambiente.

Neste caso, VOCÊ NÃO É MAIS o target do estabelecimento para “jantares românticos”. Mas se transforma no target dos locais aonde “se janta em companhia e se dança sobre a mesa”…

 

Contanto que?

Exista um outro empreendedor que tenha decidido abrir um estabelecimento do gênero,

e que tenha chamado um arquiteto para projeta-lo

(até mesmo o próprio que projetou o lugar anterior!) mas que, tendo entendido que se trata um lugar diferente do anterior,

o projetou de maneira diferente.

E o mesmo vale para o local da moda, etc…

 

Por isso, quando para a minha pergunta “o que você vende, qual o público” escuto respostas como: bem, de tudo, para todos…

faço estes exemplos, destacando o fato de que não se pode fazer de tudo para todos ao mesmo tempo…

porque você não escolheria um lugar para ter um jantar romântico…

rodeado de pessoas que dançam em cima das mesas!

 

Assim como se você fosse jantar com amigos em um lugar deste tipo,

falando alto, fazendo bagunça e incomodando os casais românticos de fregueses,

provavelmente colocariam vocês para fora e pediriam para que não retornassem!

Qual é a MORAL desta história?

 

O target, nos estabelecimentos, não são as pessoas.

Isso é, não se deve pensar no target como apenas um tipo de pessoa que faz apenas um tipo de coisa.

O target, nos estabelecimentos, são as NECESSIDADES e DESEJOS que conseguem satisfazer.

O target para o seu local são TODAS as pessoas que tem um DESEJO ou NECESSIDADE que este consegue satisfazer naquela ocasião. As pessoas neste TARGET serão TODAS aquelas que nesta noite tem o mesmo desejo. E que para satisfaze-lo elas vem até você.

 

Conseguiu compreender?

Já que você leu até aqui, lhe sugiro também assistir este vídeo onde digo mais ou menos as mesmas coisas, de modo que, se um dia trabalharmos juntos, e eu te perguntar…

“Qual é o seu target?”

…talvez saberá o que responder! ”

 

Gostaram do texto? Ele foi retirado do blog de um de nossos queridos professores do HORECA Workshop, Andrea Langhi, renomado designer de interiores italiano especializado na projetação de locais públicos.

Se você quiser ler ou conhecer mais sobre o seu trabalho, fica aqui o link para o texto original e o blog com muitos outros conteúdos interessantes:

https://andrealanghiblog.com/2016/07/11/il-target-dei-locali-non-sono-le-persone/

https://andrealanghiblog.com/chi-sono/

Uma semana inspirada a todos. 🙂

 


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